Resenha por: Carlos Elias
28/02/2026
Carlos Estêvão

O cartunista Carlos Estêvão
Como um fã do cartunismo brasileiro (Sempre muito influenciado por meu pai), costumava garimpar revistas antigas e coleções de jornais em busca de conhecer novos e antigos cartunistas. Dessa forma, fui apresentado a diversos artistas incríveis como: Millôr Fernandes, Ziraldo, Péricles, Henfil, Lage e muitos outros que já citei em artigos anteriores e outros que ainda irei citar. Dentre esses cartunistas, hoje quero destacar o trabalho de Carlos Estêvão.
Carlos Estêvão ficou muito famoso nas décadas de 1950 e 1960, com seu trabalho para a revista “O Cruzeiro”, embora já tivesse trabalhado no jornal Diários Associados, onde, com textos de Vão Gogo (Pseudônimo de Millôr Fernandes) desenhou a tira do contador de histórias “Ignorabus”.
Nasceu no Recife em 1921, mas morou no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, onde faleceu em 1972. Carlos Estêvão se destacava por seus desenhos com traços bem característicos da época e seu humor sarcástico. Geralmente com charges que satirizavam o cotidiano, o cartunista costumava não ser “politicamente correto” como se é exigido hoje em dia. “As aparências enganam”, “Perguntas inocentes”, “As duas faces do homem” e “Palavras que consolam” eram algumas das series de charges que o cartunista publicava na revista “O Cruzeiro”. Sua série de charges e tirinhas “Ser Mulher”, onde costumava satirizar as mulheres, hoje seria impublicável.


Reedição dos anos 80 da serie "Ser Mulher" e ao lado uma charge que mostra a sátira nada politicamente correta
“Dr. Macarra”, personagem de maior sucesso de Carlos Estêvão representava toda a malandragem do jeitinho brasileiro. Playboy contador de vantagem, “Dr. Macarra” provavelmente foi o precursor dos Coach da atualidade. O sucesso de “Dr. Macarra” na revista O Cruzeiro rendou a Carlos Estêvão o lançamento de uma revista mensal com o nome do personagem, mas infelizmente a revista só durou 9 edições.

Reedição dos anos 80 da revista "Dr. Macarra"
Carlos Estêvão também desenhou por um tempo para a revista “O Cruzeiro”, o personagem “O Amigo da Onça”, criação do colega cartunista Péricles que faleceu precocemente.

"O amigo da onça" com o desenho de Carlos Estêvão
Carlos Estêvão foi com certeza, uma enorme influência para os cartunistas que o sucederam, sendo ainda uma divertidíssima leitura, vale a pena conferir seu trabalho. Infelizmente não encontrei novas reedições do seu trabalho, sendo as mais recentes reedições dos anos 1980.
Referencias:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Est%C3%AAv%C3%A3o
https://www.miguelsalles.com.br/peca.asp?ID=6620123
https://kikacastro.com.br/2014/03/21/nem-tudo-e-o-que-parece-parte-2/

